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Modo “HIPER EASY HARDCORE MODE AUTO PLUS Extra mole, mole esse é pra ganhar” de dificuldade

cabeça_colunistasrafaelarbulu_tarjaLendo a coluna de N’Gai Kroal (escritor, jornalista e muitas outras coisas) na EDGE desse mês (Edição #4 – Capa: PS3 Slim), fui contemplado com uma questão que venho me fazendo há anos, mas ainda não tive a memória para escrever sobre o assunto. Pergunto, leitor: em que dificuldade você joga?

Digo isso porque a coluna do Sr. Kroal elucida a questão da pré-seleção dos modos de dificuldade que, digamos, 95 em cada 100 jogos possuem. Não poderia deixar de concordar mais com o assunto, uma vez que, sendo você um gamer que acompanha as revoluções desse mercado, já deve saber que as coisas estão um pouco diferentes do que rodar o direcional para trás/frente e escolher entre o Easy, passar pelo Normal ou ir direto para o modo Hard.

Conforme explicado pelo negão colunista, os jogos das plataformas atuais contam com uma série de recursos que dão ares de maior interatividade com o usuário, quando o assunto é modo de dificuldade: existem aqueles que se valem do aumento gradativo das pedreiras – ou seja, adapta-se ao seu progresso, complicando um pouquinho mais a sua vida a cada seção do jogo (ex.: Final Fantasy); e existem aqueles que oferecem a seleção à moda antiga, mas com possibilidade de alteração in-game: se um pedaço do jogo estiver causando dores de cabeça, vá na tela de opções e reduza a dificuldade um pouquinho para não sofrer tanto.

Mas algo que N’Gai Kroal esqueceu-se de citar é o chamado Easy-auto Mode. Se você acompanhou as notícias de algumas semanas atrás (leia quando eu ainda era editor-chefe do MSN Jogos), acompanhou um pouco deste recurso e sua ação no jogo Bayonetta: aparentemente, será possível jogar o título da mais nova gostosa do pedaço com apenas um botão, mediante alteração para tal modo simplista de gameplay. Imediatamente, aos mais experientes, deve vir à mente a óbvia inspiração de Bayonetta, o também criado por Hideki Kamiya, Devil May Cry. Quem não jogou, acompanhe: nas três primeiras fases do jogo, caso você venha a morrer três vezes, você terá a opção de mudar a dificuldade para Easy-auto, onde os combos não exigem combinação prévia e você se torna um autêntico button-masher, desferindo golpes descoordenados enquanto o jogo se preocupa em fazê-los encaixar em seus alvos.

Não sei quanto a você, mas eu, particularmente, não gosto nem um pouco dessa modalidade de gameplay: não por simplificar demais o jogo, tornando-o enfadonho. Na real, o que me incomoda é o fato do Easy-auto permanecer Easy demais até o último chefe e mais além. A minha pedreira era em um determinado pedaço do título, lá atrás, mas graças ao Easy-auto, eu não sei se essa seria a minha única complicação. Nunca se sabe: às vezes, era descoordenação nos dedos, um golpe errado; coisas desse tipo tendem a atrapalhar você – e é justamente aí que reside a graça: É PARA ATRAPALHAR MESMO!

Jogos de estratégia ou RPG (novamente, Final Fantasy), oferecem uma dificuldade gradativa, que aumenta e/ou diminui de acordo com suas ações e avanços dentro do seu estilo de jogo. Traduzindo: conforme seu progresso, inimigos mais fortes ou ataques onde você estará em alguma desvantagem de larga escala aparecerão. Cabe a você usar a cabeça ao invés dos músculos (ou dedos) e esquematizar uma forma de superar esse desafio. Se ainda estiver difícil, volte uns passos, reagrupe e melhore suas capacidades. Viver para lutar num outro dia, por assim dizer.

Acho que isso é uma questão de saber mediar dois extremos: ninguém quer um jogo fácil demais pois isso deixa tudo muito chato, perde o gosto. Por outro lado, um desafio simplesmente insuperável já te deixa sem vontade de começar, como se fosse uma comida com tempero demais. Ainda acho que isso vai demorar até ficar perfeitamente refinado, isso se de fato o ficar. Até lá, vou selecionando os jogos que receberão meu parco dinheirinho – é nessas horas que eu dou graças a Deus pelas demos.

E você, o que acha?

Rafael Arbulu é jornalista. Foi editor-chefe do MSN Jogos e agora desenvolve projetos próprios. Sua coluna pode ser lida todas as terças-feiras, aqui no NoReset.

“Respeitem o Kurt, po**a!” Ou a melhor forma de arrumar a encrenca à toa

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Não é de hoje que ouço questionamentos sobre a minha opinião em relação aos assuntos A ou B, e sempre que posso, faço questão de responder. Coisa de leitor que virou jornalista, sabe? Gosto de manter a interatividade com todo mundo que eu posso. A mais recente pergunta que recebi, vinda de um leitor via Messenger, fala sobre Kurt Cobain em Guitar Hero 5, e a suposta fúria dos fãs mais incautos do grunge rock – originada pela presença de ilustre cadáver no famigerado jogo.

Direto ao ponto: Guitar Hero, segundo o que me disseram, não prende um determinado artista ao seu acervo, salvo, claro, exceções como os títulos direcionados à bandas, como Aerosmith, Metallica e o futuro Van Halen. Assim sendo, é possível que o jogador, na pele de um Kurt Cobain inteiramente feito de polígonos, cante músicas que jamais seriam entoadas por tal artista quando em vida. Desnecessário dizer, ver o ex da sempre amalucada Courtney Love tocando músicas de Blink 182 e similares não agradou muita gente.

Honestamente, não joguei GH 5. Vou mais longe: NÃO JOGUEI GUITAR HERO! É isso aí: nunca na minha vida sequer toquei na guitarra de plástico que serve de instrumento ao simulador musical mais poderoso dos games. Digamos que até há um interesse, mas o poder de atração do jogo sobre o público de massa simplesmente inexiste em mim quanto ao seu efeito. Ainda assim, não falho em reconhecer – e respeitar – a magnitude atingida pela franquia criada pela Actvision. O quinto título (cronologicamente falando) chegou às prateleiras na semana passada, se não me engano, contando com diversos ícones da música roqueira, como Johnny Cash, além do falecido vocalista da falecida banda Nirvana.

Mesmo para alguns jornalistas renomados, ver Kurt Cobain fugir de sua especialidade foi uma autêntica ofensa, alguns até chamando o caso de “vergonha”, o que considero balela pura. Já pararam para pensar como seria se ele estivesse vivo? Será que ele não teria cedido à pressões do mercado fonográfico e feito uma parceria com qualquer pop rock performer da atualidade?

Há quem argumente que o cantor, quando vivo, não aprovava a exploração de sua imagem, mas sabe qual é a grande verdade nisso? Ele não teria como controlar esse assunto. Tornou-se um ícone cultural, pela minha opinião, apenas por morrer antes que tivessem a chance de efetivamente usá-lo como um intrumento comercial de alta capacidade. Ele não queria aparecer em comerciais? Não queria que seu rosto, nome e cabelo seboso fizesse parte de qualquer tipo de entretenimento? Dane-se! É o preço que se paga quando se vira uma pessoa pública.

O problema aqui é que quem reclama está se esquecendo da tratativa que a Activision sempre deu a Guitar Hero: esse não é, nem nunca foi ou será um “jogo de música”. O objetivo da produtora com tão consagrada franquia é reunir em um mesmo ambiente um grupo consistente de pessoas para jogar um simulador, pagando rios de dinheiro à empresa. Não objetiva-se “homenagear grandes artistas” ou “levar boa música às gerações contemporâneas”. Se a Activision quisesse, poderia fazer com que Kurt cantasse Backstreet Boys em jam session com High School Musical + Hannah Montana – e você não faria nada a respeito a não ser reclamar, reclamar e reclamar.

Amo Nirvana, sei todas as músicas de cor e salteado, assim como muitas outras bandas que me cativam, me irritam e me emocionam. É o que acontece quando você é um verdadeiro amante da música – seja ela boa ou ruim. Reclamei de muita coisa que disseram sobre a(s) banda(s) que aprendi a admirar, mas não tenho como me mostrar complacente com uma insatisfação mal justificada como essa. Mesmo para falar mal, é necessário falar direito.

Por isso que o título dessa coluna pede respeito ao homem: não porque Guitar Hero o ofendeu, mas porque fãs desajustados estão reclamando do que não devem – e Kurt Cobain deve estar se retorcendo na cova por isso.

Rafael Arbulu foi  editor-chefe do MSN Jogos, e desce o braço em Deus e o mundo às terças-feiras, aqui no NoReset.

Sem espaço para o retrô: PS3 definitivamente SEM retrocompatibilidade!

cabeça_colunistasrafaelarbulu_tarjaps3slimDurante a GamesCom 2009, a Sony tornou oficial que todo mundo já sabia: o PS3 Slim já está em pré-venda em grandes cadeias de e-commerce como Amazon, E-bay, K-Mart e Wal-Mart. Há quem lamente o fato de (partes) do hardware serem mais poderosas do que o modelo atual – vide o HD de 120GB e a possibilidade de uma versão do Slim com 250GB. Até aí, tudo bem: as diferenças de hardware raramente são fatores determinantes quando o assunto é videogame – ou o Wii não seria o maioral nas vendas. Mas uma coisa chamou toda a atenção para a Sony, de um jeito deveras negativo.

John Koller, da chefia de marketing da Sony Computer Entertainment (SCE), anunciou a descontinuidade da retrocompatibilidade – a capacidade do PS3 de reproduzir jogos de suas gerações anteriores – sem possibilidade de retorno. Não só para mim, mas para a quase totalidade da base de fãs do PlayStation, isso é um erro de tremendas proporções. O motivo para tal atitude seria, segundo John Koller, o fato “dos jogadores comprarem o PlayStation 3 para rodar jogos de PlayStation 3. Temos uma linha de frente consistente nesse aspecto”. Ele ainda foi categórico, dizendo que a retrocompatibilidade “não voltará”.

Você deve lembrar que, em 2006, os modelos PS3 vinham com parte do hardware do PS2 embutido, para rodar os jogos originais da geração passada. Posteriormente, o hardware foi abandonado, e a Sony passou a adotar a retrocompatibilidade por emulação de software, apenas para, nos modelos seguintes, tal recurso ser completamente descontinuado. Com o iminente anúncio do PS3 Slim e da inovadora firmware 3.00, especulações previam o retorno dessa capacidade, o que não ocorreu. Até o mais difícil – a queda de preço do aparelho – rolou, mas você não jogará seus clássicos do PS2 em um PS3.

Fato é que a Sony não considera necessária a adoção da retrocompatibilidade. E não estão errados: o PS3 não precisa disso. Mas a empresa liderada por Kaz Hirai está perdendo o foco, não sabendo diferenciar o supérfluo do trivial: o Xbox 360 não precisava dos avatares, mas enxergaram potencial, e hoje o console do Bill Gates tem conteúdo exclusivo integrado aos seus avatares – vide Guitar Hero 5. O mesmo vale para o Wii, com seus Miis, Virtual Console e WiiWare. Em suma, “desnecessário” não é o mesmo que “inútil”.

Tanta ênfase nesse assunto é para salientar que o mercado está seguindo por esse caminho. Eu, felizmente, não sofro desse problema, visto que o meu PlayStation 3 é justamente um dos modelos de lançamento: eu apenas insiro meu Final Fantasy X no drive, e o console faz o resto. Mas e você, seu colega de sala e a moça que trabalha no seu departamento? Todos são clientes em potencial que podem já ter um PS2, mas evitariam comprar o PS3 justamente por esse recurso ausente.

A Sony aposta em seu front de combate com títulos restritos à geração atual. É bom ver a confiança que eles têm no próprio taco. Mas é inegável o fato de que eles estão patinando em gelo fino: cedo ou tarde, o chão vai acabar cedendo.

Rafael Arbulu é editor-chefe do MSN Jogos, e desce o braço em Deus e o mundo às terças feiras, aqui no NoReset.