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Saves, Elika e o fim da dificuldade como um dia conhecemos

noreset_fuleiragensNoDeath01fernandiouehara_profilePrince of Persia, pra mim, é o jogo mais bonito dessa geração, talvez o mais bonito já feito. Mas hoje, não estou aqui pra falar da beleza do jogo ou muito menos pra fazer um review. Estou aqui pra falar de um dos defeitos mais apontados por quem jogou: a falta de dificuldade.

Admito que o jogo, por si só, não é dos mais difíceis. As seções de plataforma são meio que automáticas e as lutas não oferecem muito desafio. No entanto, o que mais facilita o jogo, segundo muitos jogadores, é a presença da Elika. Sim, ela salva sua vida se você erra um salto entre uma plataforma e outra, impedindo que você caia no limbo e vá parar no colo do capeta. Ela até entra no meio da luta se você estiver pra ir pro saco, restaurando completamente sua vida. Mesmo assim, eu digo que todo jogo deveria ter uma Elika.

Tá, pode ser exagero. Ela com certeza não se encaixaria em jogos como GTA ou Gears of War. Exceto se tivesse barba e transbordasse testosterona.

Elika, como um mecanismo de jogo, é uma ideia brilhante. Ela nada mais faz do que pular algumas telas de morte e reload, colocando o jogador direto na ação novamente. Lembre-se, o que acontece normalmente quando você morre em algum jogo? Seu personagem morre dramaticamente em uma cena, aparece a tela com opções pra começar de onde você salvou, você seleciona o save e pronto. Elika simplesmente pula esse processo chato e repetitivo com uma desculpa que faz sentido dentro do mundo do jogo, e ainda poupa algum tempo.

Além disso, o fato de não poder morrer não é o que torna Prince of Persia um jogo fácil. Desde que inventaram o sistema de saves, todo personagem se tornou imortal. “Morrer” dentro de um jogo perdeu o sentido. Você pode morrer trocentas vezes pro mesmo chefe, mas nada te impede de simplesmente dar reload e tentar de novo. Lembra dos tempos de Sonic 2 ou, melhor ainda, Battletoads? Quando as vidas eram limitadas, e se você morresse, tinha que recomeçar tudo de novo? Sim, aquilo era uma punição por ser ruim. Todo jogo, hoje em dia, tem um sistema de save, pra caso você enfrentar um obstáculo difícil, possa tentar de novo e de novo.

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Isso prejudica um pouco o desafio de se fechar um jogo, mas não podemos ser rabugentos o tempo todo e dizer que “não se fazem mais jogos como antigamente”, mesmo porque isso é coisa de gente velha e frustrada. Os jogos contam histórias incríveis e são caros demais para um jogador simplesmente ter que desistir por não conseguir passar de alguma parte. Imagine a raiva de alguém que não consiga ver o que acontece ao final de um God of War ou um Metal Gear Solid simplesmente porque travou em algum inimigo? Ou, pior ainda, alguém que pagou 60 dólares (que, devido aos impostos do nosso Brasil brasileiro, pode passar dos absurdos 300 reais) e não pode aproveitar o potencial total de sua compra?

Assim, imaginem um jogo como Mirror’s Edge ou mesmo um Sonic, onde você cai e morre direto, com um sistema de saves e check-points eficiente como o de Prince of Persia. Seria muito menos frustrante, além de ser salvo faz mais sentido do que morrer e simplesmente reaparecer novinho em folha. O Tails poderia aparecer voando pra salvar o Sonic caso o jogador erre entre um salto e outro, o Link poderia ser salvo pela Zelda, Navi ou seja lá o que o esteja acompanhando, enquanto o Kratos poderia ser salvo pelo… Chuck Norris? Sei lá, vocês entenderam.

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10 Respostas

  1. me chame de rabugento, mas eu GOSTO DE VER QUE EU FIZ CAGADA E DEVO VOLTAR A UM CHECKPOINT.
    vc é punido por ter que repetir tal parte, o velho e bom “checkpoint”.

    não fazia sentido na época dos 16-bit pq o jogo tinha no máximo umas 4 horas de duração. jogos assim TINHAM QUE SER REALMENTE MAIS DIFÍCEIS E TINHAM QUE DEMORAR MAIS PARA SEREM TERMINADOS.

    Já hoje os jogos duram NO MÍNIMO 10 horas. Não dá pra você terminar um jogo assim a não ser que seja extremamente vagabundo, por isso que nao temos mais “contadores de vida”.

    Temos os checkpoints, vc morre, recomeça a partir deles, tendo que repetir o processo até passar. Sou a favor do jogador ser punido sim se for um perfeito paspalho quando joga (games como ninja gaiden não entram aqui, ali você não é punido, vc é mandado para o inferno e enrabado pelo próprio diabo).

  2. Eu tenho a mesma visão do Thy, pra ser sincera. Gosto do sistema de checkpoints.
    Mas apesar disso não tenho problemas com a Elika, no começo eu achava meio ruim, mas depois acostumei. E é legal ter jogos com estilos de jogabilidade variados, então pro Prince ela funcionou.

    Agora, o meu único problema com o último Prince of Persia é o sistema de batalhas. QUE LIXO! Cara, eu odiei, estressei, revoltei! Como pode num jogo em que o tema é a liberdade de movimentos, os caras colocarem um sistema de lutas tão limitado??? O Prince fica travado durante a luta e eu odeio me sentir presa ou limitada! Ele não pula, não corre, só tem aqueles mesmos golpes e uns combozinhos furrecas que só servem pra você ver como é bonita a animação do jogo… aff, um saco! Sério, eu odiava quando aparecia algum monstro no meu caminho pra lutar… ¬¬º

    Fora isso o jogo é lindo e apesar da história ser meio boba, eu adorava os diálogos do Prince com a Elika. xD

  3. É mesmo, issa foi uma boa ideia, pelo menos assim não se perder aquele tempo de loading do save, mas eu ainda acho que o Kratos teria que ser salvo pelo Leônidas xD.

  4. Eu acho um saco travar em uma parte e ter que ficar jogando de novo e de novo, matando os mesmos inimigos e passando pelos mesmos lugares.

    Prefiro ser recompensado por ser bom do que ser punido por ser ruim, tipo o que acontece nos jogos do Sonic ou em jogos de corrida, você até termina todas as fases/pistas, mas se fizer em menos tempo ou conseguir medalhas de ouro/5 estrelas, destrava mais coisas.

    Se alguém aí quer dificuldade, vai jogar God Hand no PS2…

  5. Putz… hoje mesmo eu tava pensando sobre isso.
    O que faz os jogos de antigamente serem tão mais difíceis do que os atuais é ter que começar TUDO de novo.

    Quero ver alguém conseguir zerar um God Of War, ou o primeiro Prince of Persia sem morrer uma vez sequer. Sem errar pelo menos um salto e ir parar “no colo do capeta”. Os jogos de antigamente, antes de inventarem o esquema de password eram impossíveis! Depois que a coisa foi facilitando.

    Acho que tem que haver um meio termo, o gamer tem que ter o direito de escolher a dificuldade em que quer jogar o jogo.

    Até hoje acho que o sistema de checkpoint funciona bem (o foda é quando você passa em um checkpoint com sangue baixo e acaba em uma situação irreversível).
    Mas tendo a opção de escolher a dificuldade já é um grande progresso.

  6. @ Fred

    Ahh isso que você disse é verdade e seria a melhor opção:

    Acho que tem que haver um meio termo, o gamer tem que ter o direito de escolher a dificuldade em que quer jogar o jogo.

    Além de escolher o modo de dificuldade, o jogador escolher também o modo de save/checkpoint/continue. =D

  7. Eu concordo com o artigo. Dificuldade é algo relativo: ela não vai simplesmente embora porque você perdeu pra um chefe e foi salvo por um personagem secundário ou então deu reload.

    Mesmo em Prince of Persia, existiam certas punições: nas batalhas contra chefes, se Elika te salvasse da morte certa contra eles, a energia de seu algoz se recuperava consistentemente. Se colocarmos na balança, é um bom contrapeso, pois o que você fez há 30 segundos deverá ser refeito. É o mesmo princípio, com o diferencial de que você não passa por telas do sistema. Pense nisso como “dar reload no in-game”.

    Apesar de concordar que Prince of Persia foi fácil demais, discordo quando dizem que esse era o motivo. Muitos outros fatores contribuíram para tornar essa uma experiência mais casual, algo que, para mim, fez com que o jogo perdesse pontos.

    Ainda assim, gostei do jogo no escopo geral, pois ele é muito criativo – e o DLC “Epilogue” fez questão de manter esse padrão em uma base de enredo nova, dando segmento ao final do jogo completo.

  8. @ Rafael

    Muitos outros fatores contribuíram para tornar essa uma experiência mais casual, algo que, para mim, fez com que o jogo perdesse pontos. Ainda assim, gostei do jogo no escopo geral, pois ele é muito criativo.

    Concordo totalmente! Gostei do Prince no geral, mas também acho que teve umas coisinhas bobas que prejudicaram e o fizeram não ser um “jogão”. E pra mim o pior de tudo foi o sistema de batalhas. Ahhhrrg!

    Agora, eu nem sabia direito desse DLC! =O
    Dá pra baixá-lo pela PSN?????

  9. O que eu acho totalmente inviável nos jogos de hoje em dia é o sistema usado antigamente, onde você tinha vidas limitadas e, se elas acabassem, você tinha que começar do zero. Sério, apesar de divertidos, eu desisti de fechar jogos como ToeJam & Earl e Altered Beast por ter travado em certas partes e ter que fazer tudo de novo.

    É como eu disse, a Elika apenas pula algumas telas de load. E convenhamos, é muito melhor ser salvo por uma mulher bonita do que por uma tela preta escrito “loading”. =D

  10. Ah isso é mesmo, sem condições daquele esquema antigo de quando acabar as vidas, voltar tudo do comecinho! Aliás, mesmo naquela época eu odiava isso! hahahah xD
    Sempre preferi o esquema de checkpoints mesmo.

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