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Games e educação podem andar juntos?

Fuleiragens NoReset

   O título acima pode parecer o cúmulo do chavão, e você deverá achar que esse será mais um texto sem graça sobre educação e games.

 E sinto muito afirmar que você acertou. O que você lerá a seguir não é nada que você não saiba, não acrescentará nada à sua bagagem cultural gamer e eu não estou choramingando, apenas falando que não tentarei fazer um texto cult sobre um assunto tão comentado como esse (ou até outros, como violência nos games, por exemplo).

 Mas ainda assim, ainda diante de um assunto tão clichê, não poderia deixar de dar a minha opinião.

  Ontem, estava vagando pelo imenso mundo dessa internet de meu Deus (ainda que acredite  que internet carmen-sandiego.jpgé coisa do capeta…) e trombei sem querer com um artigo sobre o game ” Where in World is Carmen Sandiego?“. Lembra desse jogo?

   Eu tinha ele instalado no meu ex-computador e jogava à exaustão com a minha irmã mais velha. Logicamente, o game que tínhamos no PC era em português. Eu adorava aquele jogo, era quase um “detetive” da Estrela na tela do PC.

   Pois bem. Após conferir o artigo não tive dúvidas: Baixei a ROM de SNES para jogar aqui no trabalho (de onde escrevo esse post agora mesmo)! Digam aí se eu não boicotei o sistema e mereço um prêmio de “funcionário do mês”?

  Voltando ao que interessa, após uma breve partida, matei a saudade dos tempos de moleque e ainda consegui prender o ladrão às 14:00 da quarta-feira! Logo na seqüência, gravei a ROM no meu MP3/PenDrive, desliguei o computador do trabalho e saí.

 Ao caminhar pela rua, tive um pensamento simples: “Putz, esse game renderia uma ótima aula de geografia…”

  Como muitos dos senhores devem saber, estudo geografia. Vários blogueiros soltos por aí, tentam falar sobre educação e games. Me desculpem, mas, essa é a parte que me cabe nesse latifúndio.
 Até eu sei que, você quando era pivete, não estava nem aí para os setores da economia, para os modos de produção de Marx, para o controle populacional da China, se a capital da Islândia é Reikiavic ou se o relevo brasileiro é predominantemente composto por planaltos e planícies. E não é somente culpa sua. Isso é culpa do nosso falho sistema educacional podre e neoliberalista que visa apenas preparar pessoas para o mercado de trabalho. Isso quando consegue. E não venha me dizer que os professores são extremamente desmotivados porquê ganham pouco. Ou vai me dizer que você não vê vários Astras e Fiestas Sedans nos estacionamentos das escolas estaduais e municipais?

  Mas não estamos aqui para falar sobre isso.

  Voltando ao jogo, que me deu um insight tremendo (embora não genial), vi naquele simples game uma proposta educacional tremenda. Vi uma aula que com certeza promoveria uma interdisciplinaridade: história, geografia, informática. Promoveria um trabalho em grupo entre os alunos.

  Embora fosse uma simples atividade, digna de, no máximo, 7ª Série, com certeza isso despertaria algo diferente nos alunos. Poderia fazê-los pesquisar, ou quem sabe começar ali mesmo um interesse pela geografia, pela história, informática ou ocasionalmente até mesmo pelo desenvolvimento de games, por quê não? Pelo menos salvariam-se nobres almas, que se tornariam adultos profissionais nas atividades que iriam realizar e não precisariam ir ao programa do homem do baú dizer que não são mais espertas que um aluno da 5ª série

  Até mesmo games mais violentos ou complexos que possuam certo conteúdo histórico e/ou geográfico, como Civilization, God of War, Age of Empires ou até mesmo Sam & Max Episode 104: Abe Lincoln must Die podem despertar em crianças adolescentes e adultos um interesse por conteúdos diversos.

  O engraçado é ver nossa mídia medíocre e hipócrita e nosso governo bisonho, deixar passar em branco tudo isso como se nada disso fosse importante. O conteúdo bom dos games é sempre ofuscado: Sabemos que os gamers não são violentos, têm melhor raciocínio, reflexos e são mais inteligentes do que quem não joga. 
  Agora, quando um game é violento, quando alguém morre na telinha, todo mundo cai matando. Se tem sexo, pais ficam horrorizados como se seus filhos tivessem sido gerados de um espirro… Ah façam-me o favor.

 Acredito que a educação pode andar com games e vice-versa. Nem sempre, mas é totalmente viável, basta a boa vontade e conhecimento do educador.

 Não me recordo agora de nenhum game educativo além de Viva Piñata, afinal esse texto que você está lendo rendeu quase 3 páginas de Microsoft Word. Além do mais, quis concentrar toda a minha ira muito mal escrita e de muitas idéias, porém confusas e toscamente sintetizadas num único post e deu no que deu.
 Talvez, o meu lado pedagógico tenha vindo à tona depois de um ano achando que aulas de Metodologia e prática de ensino e Fundamentos da educação são desnecessárias. Talvez, esteja realmente me tornando um professor de verdade. Talvez esteja muito P da vida com nosso mercado de games que não cresce por causa da mente mesquinha de alguns.
 Se eu não fosse eu, diria que talvez o cara que escreveu esse texto esteja com falta de mulher, mas como sou eu quem está escrevendo, isso é totalmente impossível.

 E sei lá, vou voltar à postar fuleiragens porque é mais legal. Eu mesmo me assusto quando falo sério…

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3 Respostas

  1. Fala aí Gustavo,

    o que vc falou tem total sentido, basicamente eu comecei a aprender inglês com Where in the World is Carmen Sandiego e um dicionário inglês-português do lado e tudo pq? Pq eu queria capturar o bandido de qualquer jeito. Na época eu não pensava o quanto de história e sobre o mundo estava aprendendo, mas depois quando alguém comentava alguma coisa e eu sabia por causa do jogo, eu tinha a certeza de que games ensinam.

    Esse preconceito da mídia não existe apenas com os games, existe também com o RPG, se vc pega o World of Darkness, as aulas de história e sobre as cidades que eles ensinam é tão sensacional que eu não precisava estudar para fazer algumas provas de história ou geo-política.

    Nos EUA existe uma vertente de games que são os Serious Games, eles não só ensinam, como treinam, e servem como prova, muitos estão sendo utilizados para altos executivos, para verificar se as suas ações darão certo em um mundo virtual, antes de colocarem no mundo real.

    Veja esses posts aqui:
    1. http://www.ingameaddiction.com/2007/10/ajudando-cegos-jogar-videogames.html
    2. http://www.ingameaddiction.com/2007/10/tim-incredible-machine.html
    3. http://www.ingameaddiction.com/2007/08/games-ensinam.html
    4. http://www.ingameaddiction.com/2007/08/games-ensinam-2.html

    []s Guilherme
    http://www.ingameaddiction.com
    PS.: Muito legal o seu blog, vou colocar lá nos links favoritos.

  2. Pois é Guilherme…
    Esse jogo eu jogava em português, mas ainda assim aprendi muito com ele.
    Inglês eu aprendia com o resto dos jogos que jogava. hahaha

    Acho que esse post foi um milagre. É legal levantar uma discussão…

    Mas parece que o povo que visita o blog nem é muito fã dos meus textos sérios… Veja só, só você comentou…

    hahahahahahahahaha

  3. Gostei de seu post, pois acredito em tal união. Tanto acredito que estou levantando dados para meu projeto de TCC de minha universidade. Porem não só vou trabalha com games, como também HQ. Onde vejo muitos professores usando como recurso na aula de português e só.
    Tem muitas áreas que eles não sabem abranger por causa desses velhos mitos. Obrigado por sua contribuição.

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